Em pronunciamento voltado a servidores públicos e empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, a ex-presidente da Caixa e coordenadora econômica da campanha do Senador Flávio Bolsonaro (PL, da oposição), Daniella Marques, afirmou que um eventual governo não revogará direitos nem alterará a estabilidade do funcionalismo. No entanto, segundo publicação divulgada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), as declarações entram em choque direto com as diretrizes formais do plano de governo do parlamentar.
O programa registrado pela campanha do senador estabelece medidas como a realização de uma ampla reforma administrativa, a redução de despesas institucionais e a revisão de normas trabalhistas e previdenciárias. Além disso, o documento defende a prevalência do negociado sobre o legislado, a redução gradual do chamado custo do trabalho e a retomada explícita do Programa Nacional de Desestatização.
Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, a postura da equipe de campanha omite os impactos reais do projeto econômico proposto. A entidade aponta a incompatibilidade entre prometer valorização salarial e simultaneamente desenhar uma estratégia assentada em diminuição de quadros, corte de pelo menos dez ministérios e contenção de despesas operacionais.
Indefinição sobre cortes e ofensiva sindical
As dúvidas sobre a execução do plano econômico já haviam sido explicitadas anteriormente por Daniella Marques em entrevista à imprensa, quando confirmou a meta de cortar despesas públicas equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas transferiu ao Congresso Nacional a responsabilidade de indicar as áreas atingidas.
Apesar do descompasso sobre a estabilidade dos servidores, o discurso eleitoral e as diretrizes programáticas convergem na postura crítica contra entidades de classe. Enquanto a coordenadora atacou publicamente representações sindicais em vídeo, o plano oficial dedica um capítulo contra o que classifica de “República Sindical”. De acordo com a Fenae, a desarticulação das entidades compromete a defesa de acordos coletivos, fundos de previdência e condições estruturais de trabalho bancário.
O modelo para estatais e bancos públicos
Embora o plano de governo classifique a Caixa como um instrumento de fomento ao crédito e à habitação, o texto prevê o recrutamento de executivos pautado estritamente por regras de mercado para o comando das empresas estatais, alinhando a estrutura à lógica do programa de desestatizações.
A representação dos bancários ressalta a importância de servidores públicos e usuários de programas sociais manterem atenção redobrada diante do distanciamento entre a retórica adotada nas redes e os objetivos fiscais formalmente propostos para a administração pública.



