Por Luis Fernando Vitagliano
Sexta-feira, 09 de outubro de 2026. Faltam três semanas para o segundo turno – é muito tempo.
Datafolha – Segundo o Datafolha, Lula tem 48% dos votos válidos e Flávio 52%, na disputa mais acirrada desde que o segundo turno foi aprovado. Lula tem muitas chances de avançar sobre o eleitorado e pregar voto útil contra as abstenções. O resultado é bom porque ajuda a reduzir a distância. não são boas notícias ao bolsonarismo.
Transferência de votos – Segundo o Datafolha, Lula herdou cerca de 1/3 dos votos dos outros candidatos, enquanto Flávio herdou aproximadamente metade, enquanto pouco mais de 15% declarou voto nulo. Lula soma 3 milhões de votos aos seus quase 54 milhões; seriam 57 milhões de votos. Flávio soma aos seus 56 milhões de votos, outros 5 milhões de votos e chegaria a 61 milhões de votos.
Pesquisa VOX – Lula na frente. Este instituto dava vitória de Flávio no segundo turno na sua última pesquisa de primeiro turno, dia 01 de outubro. Hoje sua pesquisa mostra 50,9% para Lula e 49,1% para FB. A pesquisa identificou um número grande de indecisos, 6,4%. Mas não deixa de apontar outro cenário.
Atlas/Intel Acompanha PODER/DATA – Poder/Data 53% a 47%. Atlas/Intel 52,8% FB a 47,2% para Lula. Em intenções de votos, Flávio teria 51,1% e Lula 45,7% com 3,2% de Brancos, Nulos ou não sabem.
Sprint final – Obviamente o favoritismo (e o salto alto) passaram para Flávio. Mas, as primeiras pesquisas mostram um cenário em disputa. A considerar a Datafolha, a situação é de empate técnico. Já tem pesquisa apontando Lula na frente. A notícia é boa. Tem muita campanha pela frente. Se na semana que vem os institutos mostrarem aproximação. Tudo que era sólido, se desmancha no ar.
Panorâmicas vs. selfies – Estudantes de todo o país foram às ruas. Um mar de pessoas exibido nas redes. Isso é fantástico e mostra que há muita luta. Mas, se todos esses estudantes e trabalhadores com celular na mão forem passivos nas redes e pouco efetivos em ganhar votos, a situação permanecerá como está. O manifestante de hoje se coloca nas ruas e nas redes. A questão é gravar um vídeo, dizer por que motivo está lá, chamar as pessoas a votar, tentar virar voto.
Soldados de Lula – Digamos que na comunidade montada por Janones (que já tem 2,6 milhões de participantes) cada um consegue reverter ou conquistar um voto até a próxima segunda-feira. O DataFolha provavelmente será outro. Aí, tudo vai ficar em aberto.
Luana Piovani – O episódio quatro da série Revelando mostra as relações de Flávio, a privatização das praias e os jogos de azar. Este é da mesma série que produziu grandes templos, Master Negócios com a apresentação de Fábio Porchat. Impressiona a quantidade de falcatruas. Fato que levou muita gente que esteve numa oposição raivosa contra o PT declarar voto em Lula, como é o caso do jurista Miguel Reale Jr. E voto a gente não rejeita.
A regra e a exceção – Em geral, na política, a exceção comprova a regra. Um garoto gay tentou mostrar ao mundo que o Partido Liberal de Flávio não era homofóbico e concorreu a deputado pelo Partido. Resultado: no segundo turno declarou voto em Lula ao reconhecer a homofobia em toda estrutura partidária. É só buscar o ‘gay de direita’ na rede e tirar as próprias conclusões.
Interpretação e malícia – A leitura do caso sempre remete aos 295 votos recebidos pelo candidato. Não seria um recalque em relação a baixa votação? Mas, por que um garoto com potencial receberia tão pouco voto? Porque encontrou um público fechado aos seus pontos. No fim, foi usado só como peça publicitária para dizer que não havia preconceito, quando quis rumar contra o óbvio.
Ana Elisa – Mensagem de suposto “supremacista branco” a deputada eleita por Minas Gerais é uma demonstração da decadência da sociedade. A jovem denunciou as diversas ameaças sofridas a política civil e expôs conteúdos nas redes sociais. É de deixar as 27 milhões de mensagens ofensivas ao Nordeste de queixo caído.
O certo e o justo – É certo anular os votos de Garotinho para o governo do Rio de Janeiro? É certo, mas não é justo. É certo porque ele estava inelegível. Mas, não é justo porque foi autorizado a concorrer. E se foi autorizado, as pessoas votam nele. Não são votos nulos, não podem servir para mudar o resultado. São votos nominais e que impediram ao candidato de maior votação atingiu 50% + 1. A justiça pode ignorar a votação do candidato. Mas não dá pra ignorar o fato de que o vencedor não teve os 50%+1.
Agenda de pesquisas registradas:
10/10 – IPESPE/ABRAPEL (Contratante: IPESPE/ABRAPEL – Custo: R$ 105.000,00)
12/10 – Quaest (Contratante: Rede Globo – Custo: R$ 128.064,00)
13/10 – Nexus (Contratante: Banco BTG/Pactual – Custo R$ R$ 164.888,89)
13/10 – PoderData (Contratante: REALTIMEAM PORTAL – Custo: R$ 103.715,00 )
13/10 – GERP Mercadologia (Contratante: GERP Mercadologia – Custo R$ 10.000,00)
14/10 – Quaest (Contratante: Rede Globo – Custo: R$ R$ 338.178,00)
Dados TSE: apenas as pesquisas registradas no TSE tem autorização de divulgação
Luis Ferrnando Vitagliano é graduado em Ciências Sociais pela Unicamp. Mestre em Ciência Política também pela Unicamp. Doutor pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.
* O Radar Democrático publica artigos de opinião de autores convidados para estimular o debate.




