A rede estadual de São Paulo viu seu desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 estagnar e cair de oitava para décima posição nacional no ensino médio. O estado, que ocupava a liderança em 2015, agora se distancia ainda mais da meta de excelência estabelecida, ficando atrás de outros nove estados brasileiros.
O Ideb 2025, divulgado pelo Ministério da Educação, apontou uma média de 4,3 para o ensino médio paulista. Apesar de um leve aumento em relação a 4,2 em 2023, o índice ainda é inferior ao de 4,4 registrado em 2021. Este cenário se choca com a promessa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de colocar São Paulo na liderança desta etapa de ensino. O secretário de Educação, Renato Feder, que já liderou a pasta no Paraná, atribui a dificuldade à dimensão da rede paulista, a maior do país.
Paraná lidera e outros estados avançam
Em contrapartida, o Paraná, sob a gestão do governador Ratinho Junior (PSD), reassumiu a liderança no Ideb 2025 para o ensino médio, com uma média de 5,1. Outros estados como Goiás, Espírito Santo e Piauí também apresentaram bons resultados, alcançando média de 4,9. O Inep, órgão responsável pelo Ideb, não realiza um ranking formal de estados, mas divulga os resultados que permitem essa comparação de desempenho.
Os dados do Ideb 2025 também revelam que São Paulo não conseguiu recuperar totalmente o aprendizado perdido durante a pandemia de Covid-19. O índice é calculado pela taxa de aprovação aliada ao desempenho dos alunos em provas de matemática e português. Em 2025, as médias paulistas nessas disciplinas foram de 268,22 em matemática e 276,24 em português. Embora superiores a 2023, esses números ainda são inferiores aos de 2019, indicando uma lacuna de aprendizado de aproximadamente 5 pontos em matemática e quase 3 em português.
É importante notar que os dados divulgados focam no ensino médio regular. Quando se considera a modalidade de Educação Profissional e Tecnológica, São Paulo alcança um Ideb de 4,5, o que o colocaria em oitavo lugar entre os estados. O Inep separou a divulgação desses dados neste ano, gerando resultados distintos para cada modalidade. A estagnação paulista ocorre em um período em que a gestão Tarcísio de Freitas implementou medidas como a digitalização do ensino e reduziu a expansão de matrículas em tempo integral, optando por priorizar o ensino profissionalizante em escolas regulares e modelos cívico-militares.
Em contraste, um comunicado do governo federal aponta avanços consistentes em todas as etapas da educação básica em São Paulo. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o Ideb 2025 representa os melhores resultados da série histórica para o estado, com avanços nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, e no ensino médio. Ele defende que as políticas públicas consistentes e o investimento têm acelerado a aprendizagem, recuperando o aprendizado perdido durante a pandemia. O Saeb, que compõe o Ideb, avaliou 5,9 milhões de alunos em todo o país.



