A Convenção Nacional do PT, realizada no último domingo (02/08) na capital paulista, confirmou o que os dados já vinham sinalizando: as mulheres se tornaram a peça central da engrenagem política para barrar o avanço da extrema-direita em 2026. Com um discurso centrado na defesa da vida e na paridade de direitos, o campo progressista tratou o eleitorado feminino não como um simples segmento a conquistar, mas como o verdadeiro motor de um projeto de país que contrapõe o radicalismo ao bem-estar social.
Ao contrário de eventos protocolares, a convenção deu voz e centralidade às lideranças femininas. A ex-ministra Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, foi enfática: serão as mulheres — especialmente as paulistas — as responsáveis por colocar a “quarta estrela no peito do presidente Lula”. A primeira-dama Janja Lula da Silva reforçou esse papel ao destacar a jornada dupla e tripla das brasileiras como a base que sustenta a mobilização política do país.
Para além da retórica, o evento também pautou propostas estruturais com impacto direto no cotidiano das mulheres no estado: paridade de 50% em cargos públicos, redução da jornada de trabalho — com o fim da escala 6×1 — e ampliação de creches para mães trabalhadoras. “As mulheres nesse país sempre fizeram a diferença na política. Por isso a nossa certeza de que as mulheres elegem quem elas quiserem”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Helena.
O contraste: entre o marketing e o silêncio
Esse movimento progressista ocorre em um momento de nítido desgaste da imagem do governador Tarcísio de Freitas entre as paulistas. Na convenção de Tarcísio, realizada um dia antes, no sábado (01/08), frases de efeito como “Tarcísio precisa de vocês” conviveram com uma contradição simbólica: nenhuma mulher teve direito à fala no palco principal. Coube ao prefeito Ricardo Nunes e ao presidente do Republicanos, Marcos Pereira, discursar em nome delas — o espaço de fala, na prática, permaneceu restrito aos homens.
Essa dissonância entre o marketing e a representatividade real ajuda a explicar a queda de 10 pontos percentuais na aprovação do governo estadual entre as mulheres: de 57% para 47% em menos de um ano, segundo pesquisa Genial/Quaest. Para analistas, o alinhamento de Tarcísio com figuras radicais e sua defesa de candidaturas ao Senado como as de Guilherme Derrite e André do Prado criam uma barreira difícil de superar junto a um eleitorado feminino que tende a ser mais pragmático e mais avesso ao extremismo.
A batalha das urnas em solo paulista
A pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026 mostra que, embora Tarcísio ainda lidere numericamente em São Paulo, a disputa entre as mulheres é bem mais acirrada do que entre os homens. Entre elas, a distância para o campo opositor é de apenas 6 pontos — 34% contra 28% de Fernando Haddad —, enquanto entre o público masculino a vantagem do governador salta para 26 pontos.
Esse cenário reforça a tese de Simone Tebet e Janja: o voto feminino será decisivo. Enquanto o governo estadual aposta em obras e privatizações, o campo progressista tenta reconectar o debate político com a urgência da segurança, da saúde reprodutiva e da justiça salarial. O despertar das paulistas sinaliza que o marketing de asfalto já não é suficiente para esconder o custo humano de um projeto que ignora a proteção à vida e a dignidade de quem compõe a maioria do eleitorado.



