Segurança Pública

Tarcísio faz discurso de endurecimento contra o crime, mas corta recursos da segurança

Análise do orçamento paulista revela foco em privatizações em detrimento de inteligência policial e infraestrutura hídrica.

A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à frente do Estado de São Paulo é frequentemente projetada nacionalmente sob o rótulo da eficiência técnica e do pragmatismo infraestrutural. No entanto, quando afastamos a cortina do marketing político e analisamos as escolhas orçamentárias e as entregas efetivas, emerge um cenário de contradições profundas.

A segurança pública é um dos principais pilares discursivos do governador. Contudo, as decisões orçamentárias recentes mostram um descompasso alarmante entre o discurso de endurecimento contra o crime e o investimento real na inteligência policial.

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Déficit na Polícia Civil e desmonte da inteligência

No orçamento planejado para o Estado, a gestão Tarcísio cortou significativamente as verbas destinadas ao combate ao crime organizado. Existe uma asfixia financeira de setores de inteligência que enfraquece a Polícia Civil em prol de uma atuação puramente repressiva e ostensiva da Polícia Militar.

O estado enfrenta um déficit histórico que passa de 15 mil policiais civis. Enquanto a população paulista cresceu nas últimas décadas, a força policial investigativa (Polícia Judiciária) encolheu, limitando a capacidade do Estado de solucionar crimes complexos.

TCE-SP alerta para responsabilidade fiscal e renúncias de receita

Dias atrás, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) analisou e aprovou com ressalvas as contas do governo de 2025. O parecer técnico acendeu um sinal de alerta severo sobre a responsabilidade fiscal e a transparência do governo.

O relator do Tribunal criticou abertamente o enorme volume de renúncias de receitas praticado pela gestão. A auditoria apontou a existência de um verdadeiro “orçamento paralelo das renúncias de receita”, em que bilhões de reais deixam de entrar nos cofres públicos por meio de isenções fiscais concedidas a setores privados, sem a transparência necessária ou contrapartidas sociais claras que justifiquem o privilégio em detrimento do investimento em serviços básicos.

Em um período de transição climática extrema, marcado por secas severas no interior e tempestades devastadoras na região metropolitana, as prioridades do orçamento do estado também têm sido alvo de duras críticas técnicas.

O planejamento orçamentário do governo Tarcísio promoveu um recorte expressivo nas verbas de segurança hídrica e combate a enchentes. No comparativo entre os planos de execução de 2025 e 2026, o orçamento destinado especificamente à proteção de mananciais e à contenção de cheias sofreu reduções substanciais, ignorando os riscos apontados após os índices de chuva historicamente baixos registrados no Sistema Cantareira.

O modelo de governança de Tarcísio de Freitas prioriza a entrega rápida de ativos públicos à iniciativa privada por meio de concessões e privatizações (como o emblemático caso da Sabesp). No entanto, ao enfraquecer os braços de inteligência do Estado, reduzir os investimentos preventivos contra crises climáticas e abrir mão de receitas bilionárias via isenções mal explicadas, a gestão dá sinais claros de que premia o mercado financeiro em detrimento das demandas de base da população paulista.

Mário Camargo
Mário Camargo
Jornalista há mais de 30 anos, com especializações em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais e em Comunicação Popular e Comunitária. Foi diretor de comunicação nas prefeituras de Campinas (SP) e Maringá (PR). Trabalhou ainda na comunicação da Petrobras.

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