A pesquisa Quaest para o Estado de São Paulo traz um cenário desafiador (para não dizer desanimador) para o candidato petista ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e perspectivas muito promissoras para o candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas há alguns números da pesquisa que, há menos de uma semana da eleição, podem dar alguma esperança para que Haddad consiga virar o jogo (embora as chances sejam bem remotas). O período de coleta das respostas foi de 18 a 21 de setembro.
Segue o fio que vamos mostrar os principais dados da pesquisa e porque Tarcísio pode vibrar mas ainda não pode cantar vitória e nem Haddad pode jogar a toalha.
Intenção de voto espontânea
É aquele voto mais consolidado, onde o candidato lembra de cabeça em quem vai votar. Tarcísio saltou de 22% para 27% entre 8 e 23 de setembro. Haddad saiu de 10% para 13%. Os indecisos caíram de 64% para 56%. Há um caminhão de votos soltos que podem ser conquistados pelos dois. Mas a tarefa é bem mais difícil para Haddad por conta do que vem a seguir.
Intenção de votos estimulada
Aqui Tarcísio abre grande vantagem: oscilou de 40% (25/8) para 42% (8/9) e para 44% (23/9). Haddad ficou estagnado em 27% nas três sondagens. Um mês de campanha de Tarcísio fez ele crescer quatro pontos. Haddad ficou onde estava e é justamente quem precisava crescer (e muito).
Crescimento feminino e de jovens
Tarcísio cresceu entre as mulheres, de 35% em 8/9 para 39%. Haddad ficou parado com 28%. Entre os homens, Tarcísio oscilou de 50% para 49%. Haddad também oscilou um ponto para baixo, de 26% para 25. O eleitorado feminino, mais simpático aos petistas em nível nacional, aqui em São Paulo prefere o candidato bolsonarista e tem se decidido mais por ele a cada rodada.
Entre o público mais jovem, de 16 a 34 anos, a diferença era de 11 pontos em 8/9 (34% a 23%). Mas Tarcísio abriu vantagem maior agora: 39% a 24%. Entre os eleitores acima de 60 anos, a diferença caiu um pouco de 46% a 31% para 44% a 32% (mas é uma fatia menor do eleitorado). No público médio, 35 a 59 a diferença é de 21 pontos (47% a 26%) para o governador.
Votos por escolaridade e renda
Quando a segmentação é por escolaridade, Haddad chega a encostar em Tarcísio entre quem tem até o ensino fundamental (36% a 33%). No entanto, a preferência por Tarcísio é esmagadora nos outros segmentos: 45% a 21 (ensino médio) e 52% a 28% (ensino superior).
Tarcísio ultrapassou Haddad entre os eleitores com renda até 2 salários mínimos, pescando votos nas periferias mais identificadas com o PT. 34% a 31%. Um mês antes era 31% para Haddad e 25% para Tarcísio.
Eleitores negros e a divisão ideológica
Haddad também foi ultrapassado entre os eleitores negros: de 33% a 27% em agosto apra 35% de Tarcísio contra 31 do petista. Mais um sinal da estagnação de Haddad e do crescimento do governador justamente onde o PT tem mais votos.
Neste próximo quesito, os números são preocupantes, mas são ao mesmo aqueles que podem indicar uma possibilidade de reação petista: 67% dos eleitores que se dizem lulistas ou de esquerda, declaram voto em Haddad. Significa que um terço de quem prefere Lula ou a esquerda não está vendo Haddad como a melhor opção. A campanha conseguirá conquistar estes eleitores há tempo? Tarcísio tem a preferência de 78% dos direitistas e 76% dos bolsonaristas.
Voto definitivo e indecisos
72% dos eleitores declararam que a decisão de voto é definitiva e 28% disseram que podem mudar. Há muitos votos em disputa, mas Haddad depende de um movimento gigantesco para atrair um número muito maior destes que ainda balançam.
Avaliação do governo Tarcísio
Os índices de aprovação do governo Tarcísio ficaram estáveis com a campanha: hoje 58% aprovam. Mas sua desaprovação caiu de 31% em agosto para 25% no fim de setembro. Se o governador não conseguiu mais simpatizantes, deixou mais gente que o desaprovava indecisa.
Avanço entre lulistas e a imagem do governador
Dado muito interessante: entre os lulistas, a desaprovação de Tarcísio caiu de 42% em agosto para 31% em setembro. A aprovação subiu de 21% para 27%. Significa que a máquina de campanha de Tarcísio conseguiu conquistar ao menos a simpatia de eleitores do campo adversário. A campanha de Haddad, por mais que tenha tentado, não conseguiu desestabilizar a imagem do governador.
A situação se agrava quando 39% dos lulistas afirmam que Tarcísio merece ser eleito. Antes eram 32%.
Nacionalização da campanha e apoio a candidatos presidenciais
60% dos entrevistados sabem que Haddad é o candidato de Lula, mas 39% não sabem quem é o escolhido do presidente. No outro lado, 48% associa Tarcísio com Flavio Bolsonaro e 51% não sabem quem o 01 apoia. Há poucos dias da eleição, a nacionalização da campanha é frágil.
Para presidente, Flavio Bolsonaro lidera no estado com 34% empatado tecnicamente com Lula (31%). Antes eram 31% a 30%. Significa que Tarcísio, com seu distanciamento discreto de Flavio conseguiu emplacar entre o eleitorado mais que Haddad colado em Lula. Esta pode ser a melhor notícia para Haddad: se na última semana o eleitorado paulista resolver nacionalizar seu voto local, o petista tem alguma chance, embora remota, visto que até Lula está atrás de Flavio no estado. Mas não há nenhuma evidência de que isso deva ocorrer.
A pesquisa Quaest ouviu 1800 eleitores no estado de São Paulo e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. As entrevistas foram feitas de 19 a 22 de setembro. A pesquisa foi contratada pelas Organizações Globo e registradas no TSE com os números SP-02456/2026 e BR-08886/2026.



